Compreender o desenvolvimento físico

Antes de regressarmos ao exemplo dos nossos três perfis, analisemos os principais fatores que influenciam o desenvolvimento físico.

Genética

O primeiro fator a considerar é a genética. Cada indivíduo nasce com uma estrutura biológica única. O comprimento dos segmentos corporais, a largura da bacia, a forma das articulações, as inserções musculares e a distribuição das fibras musculares variam de pessoa para pessoa. Estas características influenciam a forma como o corpo produz movimento e responde ao treino.

Algumas pessoas apresentam naturalmente maior predisposição para desenvolver força, velocidade ou potência. Outras possuem uma estrutura que facilita determinados movimentos ou amplitudes articulares. Isto não significa que uma pessoa esteja destinada ao sucesso ou ao fracasso, mas apenas que cada indivíduo parte de um ponto de partida diferente.

O papel do treinador não é fazer com que todos os atletas treinem da mesma forma, mas sim identificar as características individuais de cada um para selecionar os exercícios, as amplitudes de movimento e os métodos de treino mais adequados ao seu perfil.

Epigenética

A genética representa o potencial com que nascemos. A epigenética corresponde à forma como esse potencial é influenciado pelo nosso estilo de vida. Sem alterar o ADN, fatores como o treino, a alimentação, o sono, o stress e a recuperação influenciam a forma como o organismo se adapta ao longo do tempo.

Duas pessoas com predisposições genéticas semelhantes podem alcançar resultados muito diferentes em função dos seus hábitos diários. O corpo adapta-se continuamente aos estímulos que recebe. Quanto mais consistentes, progressivos e repetidos forem esses estímulos, maior será a probabilidade de ocorrerem as adaptações pretendidas.

A epigenética recorda-nos que o potencial, por si só, não garante resultados. É a qualidade das decisões tomadas diariamente que permite expressá-lo de forma progressiva.

Adesão

O terceiro fator é a adesão. Refere-se à capacidade de uma pessoa manter, de forma consistente e ao longo do tempo, os comportamentos necessários para continuar a evoluir.

O melhor programa de treino não produz resultados se não puder ser seguido com regularidade. Pelo contrário, um programa ligeiramente menos otimizado, mas realizado de forma consistente, produzirá quase sempre melhores resultados a longo prazo.

A adesão depende de vários fatores: o prazer sentido durante o treino, as exigências da vida profissional e familiar, o nível de dificuldade do programa, a motivação e a capacidade de integrar o treino de forma sustentável na rotina diária.

Por essa razão, um acompanhamento individualizado não consiste apenas em escolher os exercícios mais adequados. Consiste também em construir uma estratégia que o atleta consiga manter durante meses e anos. O desenvolvimento físico não depende de uma única decisão, mas da acumulação de inúmeras decisões consistentes ao longo do tempo.

No próximo artigo

Agora que compreendemos os três pilares do desenvolvimento físico, resta uma questão essencial: por que motivo três pessoas com o mesmo objetivo podem necessitar de estratégias completamente diferentes?

No próximo artigo, aplicaremos este modelo a três perfis femininos distintos. Veremos como a construção de um perfil individual permite orientar as decisões de treino, adaptar a programação às características de cada atleta e maximizar o seu potencial de desenvolvimento físico.